A Cooperbatata (Cooperativa dos Bataticultores da Região de Vargem Grande do Sul) promoveu, na manhã de sábado (4), o Campo de Batata, evento técnico que reuniu cerca de 420 pessoas entre produtores, familiares, técnicos e representantes de empresas do setor. A programação ocorreu em dois momentos: a primeira etapa foi realizada na Fazenda Bisturi e a segunda no Recinto de Exposições “Christiano Dutra do Nascimento”.
Considerado um dos maiores encontros da bataticultura nacional, o evento teve como principal objetivo levar informações e novas tecnologias aos produtores, apresentando soluções que possam contribuir para o aumento da produtividade e da qualidade das lavouras.
Segundo o engenheiro agrônomo da Cooperbatata, Fábio Henrique de Oliveira, a evolução constante da cultura da batata exige cada vez mais atenção aos detalhes. “A gente tenta levar a informação ao produtor. Esse é o principal objetivo do evento. A bataticultura vem evoluindo de uma maneira que os detalhes hoje são diferenciais. Diante disso, a gente procura fazer o campo pegando aqueles detalhes que talvez passam batido para o produtor”, destacou.
Entre os temas abordados estiveram práticas de adubação, utilização de produtos biológicos e técnicas de manejo que, muitas vezes, acabam não sendo adotadas no dia a dia das propriedades.
Outro ponto de destaque foi a expressiva participação dos produtores e de suas famílias. “O que chamou a atenção foi a participação das famílias e dos produtores. O bataticultor, em geral, participou muito. Tivemos participação de 75% a 80% dos nossos produtores. Então, foi um Campo de Batata muito participativo”, afirmou o engenheiro agrônomo.
TRABALHO POSITIVO
A área demonstrativa do Campo de Batata contou com aproximadamente 4,5 hectares de plantio, desconsiderando os carreadores, e reuniu a participação de importantes empresas do setor. De acordo com Fábio, um dos diferenciais desta edição foi a integração entre as marcas participantes, permitindo a realização de diferentes tratamentos e comparativos dentro do mesmo campo. “Foi um campo muito assertivo. Dentre essas empresas que trabalharam, não foram apenas tratamentos isolados. Muitas dividiram suas áreas com outras marcas, realizando tratamentos nutricionais, via folha, tratamentos de sulco e de plantio. Isso foi um diferencial muito grande”, avaliou. “Dentro da adubação, fizemos algumas diferenciações, dividindo a carga de nutrientes entre a adubação de plantio, que chamamos de adubação de base, e a adubação de cobertura. Isso se mostrou uma grande diferença”, explicou.
BOAS PERSPECTIVAS PARA A SAFRA
Além das atividades técnicas, o evento também foi marcado pela avaliação do início da safra de batata na região de Vargem Grande do Sul, uma das principais produtoras do tubérculo no Brasil. Segundo Fábio Henrique de Oliveira, a área plantada neste ano está estimada entre 10,5 mil e 11 mil hectares. “A perspectiva é boa. O mercado está sinalizando positivamente. Começou muito bem, apesar de recentemente os preços terem apresentado uma pequena queda. Mesmo assim, o produtor está animado com o início da colheita”, comentou.
As condições climáticas também têm favorecido o desenvolvimento das lavouras. Segundo o agrônomo, as temperaturas registradas nas últimas semanas estão dentro da faixa ideal para a cultura. “A situação climática para a produção da batata é muito boa. A temperatura noturna está amena, em torno de 12 a 14 graus. Já a temperatura diurna fica entre 18 e 24 graus. Além disso, o grau de luminosidade é muito bom”, comentou.
Embora a presença de neblina nas primeiras horas do dia possa favorecer o surgimento de algumas doenças, ele reforça que o cenário é considerado controlável. “Na parte da manhã está dando um pouco de neblina. Isso favorece um pouco mais de doença, mas nada que o produtor não consiga controlar. Quanto ao fator climatológico, está indo muito bem para a cultura”, relatou.
As primeiras áreas colhidas também têm surpreendido positivamente. Fábio conta que as lavouras iniciais já apresentam produtividade entre 600 e 650 sacos por hectare, índices considerados normais para a região, mas que podem ser ainda maiores nas áreas plantadas em condições mais favoráveis. “O que está chamando a atenção é a qualidade da batata. Ela está entrando no mercado com uma qualidade muito boa”, ressaltou.
Com boas perspectivas de produtividade e um mercado considerado atrativo, o clima entre os produtores é de otimismo.
PAPEL ESTRATÉGICO DA COOPERBATATA
Fábio também destacou a importância da Cooperbatata para o desenvolvimento da cadeia produtiva regional e nacional. “O papel da cooperativa é fundamental na bataticultura regional e nacional. Esse Campo de Batata – que ainda está em andamento, porque não foi colhido – é o maior campo técnico de batata do Brasil. Existem outros campos, mas são comerciais. Um campo técnico igual ao que a Cooperbatata realiza é algo inédito no país”, frisou.
Segundo ele, o projeto chamou a atenção pela estrutura, pela qualidade da instalação e pelos resultados apresentados. “É um campo que chamou muita atenção, seja pela sua beleza e instalação, como também pelo modo como se comportou, mostrando muitas diferenças em relação ao padrão do produtor. Nós ainda vamos colher o campo e tenho certeza de que as parcelas das empresas apresentarão diferenças bastante significativas”, concluiu.





