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Solavita registra primeira variedade própria de batata desenvolvida na região

Sediada em Vargem Grande do Sul, a empresa Solavita alcançou um marco histórico para a bataticultura brasileira ao obter o registro de sua primeira variedade de batata desenvolvida integralmente na região. Batizada de Primavitta, a cultivar é resultado de décadas de trabalho em melhoramento genético e representa um avanço para um dos principais polos produtores do tubérculo do país.

Fundada em 2009, a Solavita atua no desenvolvimento de novas variedades de batata por meio de cruzamentos e processos de seleção conduzidos em todas as etapas do melhoramento genético. A empresa tem como missão criar novas cultivares, licenciá-las e produzir sementes de alta qualidade para os mercados nacional e internacional. A gestão é formada pelo diretor-presidente Nicolaas Josef Schoenmaker, pelo vice-presidente Celso Carlos Roquetto e pelo diretor-geral Pedro Candido Rytsi Hayashi.

CONQUISTA IMPORTANTE

A obtenção do registro da Primavitta coloca Vargem Grande do Sul em evidência no cenário nacional da pesquisa e inovação voltadas à bataticultura, demonstrando o potencial da região não apenas na produção, mas também no desenvolvimento de tecnologias e cultivares adaptadas às condições brasileiras. “É uma conquista extremamente gratificante, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Representa a realização de um objetivo iniciado há 26 anos, construído sem formação acadêmica específica na área — de forma autodidata —, conduzindo cada etapa do processo: a escolha das matrizes, os cruzamentos e todo o desenvolvimento da variedade”, afirmou Hayashi, em entrevista ao Jornal do Produtor.

Segundo ele, a nova cultivar foi selecionada ao longo de anos por reunir características consideradas estratégicas para o setor. “A Primavitta foi selecionada ao longo de anos pelo conjunto de suas características: alta produtividade, resistência às principais doenças que afetam a cultura da batata, rusticidade, formato alongado e elevado teor de matéria seca. É especialmente indicada para a indústria de batata palito – french fries. Em comparação com outras variedades de aplicação similar, apresenta até dois pontos percentuais a mais de matéria seca — diferença significativa para a indústria, já que cada ponto percentual equivale a 5% a mais de produto acabado. Além disso, demanda menos fertilizantes e tolera melhor o calor e os períodos de estiagem”, explicou.

IMPORTÂNCIA PARA A CADEIA PRODUTIVA

Hayashi destaca que a conquista pode representar um importante passo para o fortalecimento da bataticultura nacional, historicamente dependente de variedades desenvolvidas em outros países. “As variedades mais cultivadas no Brasil foram desenvolvidas no hemisfério norte, adaptadas a condições bastante distintas das nossas: dias com mais de 16 horas de luz, temperaturas amenas e solos de alta fertilidade. O melhoramento genético tem o potencial de mudar esse cenário, assim como fez com a soja — cultura que, sem esse trabalho científico, estaria restrita ao estado de São Paulo e às regiões Sul do país, mas que hoje é cultivada em todo o território nacional. A Primavitta representa esse mesmo avanço para a batata. Para que os agricultores colham os benefícios reais da variedade, porém, será necessário adequar o sistema de produção ao seu perfil. Manter os mesmos insumos utilizados em outras variedades pode anular as vantagens da Primavitta — os fertilizantes convencionais, por exemplo, podem prolongar o ciclo produtivo e comprometer o teor de matéria seca. Por esse motivo, ela também se adequa perfeitamente aos sistemas de cultivo orgânico e regenerativo”, ressaltou.

O pesquisador relata que foram mais de duas décadas de trabalhos para se obter essa nova variedade. “O trabalho teve início há 26 anos e o cruzamento que originou a Primavitta foi realizado em 2010. Um dos principais desafios foi a resistência do setor em reconhecer o valor de uma variedade nova — há uma tendência natural de confiar no que já é conhecido, independentemente do desempenho real. Outro obstáculo importante é a falta de interesse e investimento em pesquisa no setor público ou de benefícios fiscais que incentivem a cadeia”, relatou.

MERCADO

Agora a Solavita trabalha nas próximas etapas para consolidar a presença da Primavitta no mercado. “O próximo passo, já protocolado, é a solicitação de proteção da cultivar, medida que impedirá a multiplicação não autorizada e assegurará legalmente os direitos de propriedade intelectual sobre a variedade. Paralelamente, já há plantio em pequena escala conduzido por um dos sócios da Solavita, embora os processos de certificação ainda estejam em fase de regulamentação — etapa que ocorre após o registro no RNC (Registro Nacional de Cultivares). Há ainda perspectiva de expansão internacional: países com clima e solo semelhantes aos do Brasil demonstram interesse na variedade, e uma empresa estrangeira já manifestou formalmente essa intenção. A expansão, contudo, seguirá um cronograma técnico e burocrático específico”, informou.

NOVOS PROJETOS

Paralelo a isso, a empresa já trabalha em novos projetos de melhoramento genético. “O registro da Primavitta marca a conclusão de uma etapa relevante, mas o trabalho segue em andamento. A Solavita já conta com clones avançados voltados a outras aplicações — batata para mercado fresco, fabricação de chips e variedades de polpa colorida —, cujos registros estão previstos para breve”, concluiu Hayashi.

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